sábado, 27 de setembro de 2014

Qual o Preço das Nossas Vidas?

Passaram pouco mais de 3 anos do dia em que descobrimos que o país estava para fechar. Com base nessa ideia, Portugal entrou em fase de liquidação. No fundo vendia-se um país inteiro, com pessoas a sério lá dentro, a preço de saldo. Para evitar esse destino foi negociado um empréstimo extremamente lesivo para os interesses nacionais, com uma troika cuja legalidade é altamente suspeita.
Depressa percebemos que era tudo bem baratinho. Bastava baixar os nosso ordenados, devolver a precariedade às nossas mulheres, os nossos filhos não ter professores e os nossos pais verem cortadas as reformas... E assim foi. E assim continua a ser. Mesmo depois da troika sair, foi-nos prometido que a sua presença continuaria por algumas décadas. Os mercados ficaram logo mais descansados e as pessoas mais desesperadas. A célebre dicotomia o Portugal está melhor, os portugueses é que estão pior.
Mas nada que uma bela operação de charme não resolva. Foi anunciado com pompa e circunstância, o aumento do salário mínimo para €505,00. Pouco importa se esse era o valor (acrescido de uma bonificação de €5,00) que deveria vigorar desde Janeiro de 2011, ou seja quase 4 anos atrás, rasgado que foi o acordo de concertação social assinado em 2006. Mais uma vez se realça o cumprimento das obrigações tão propalado pelo executivo... Mas apenas quando os compromissos são internacionais. Para o povo português a relação de confiança pode ser olvidada vezes sem conta que pouco importa.
Este recente acordo é conseguido à custa de uma redução da TSU para os empregadores de 0,75%. Isto quer dizer que foi preciso lançar uma cenoura aos patrões para conseguir um ridículo aumento que só peca por tardio, num ordenado mínimo miserável. Mas esse valor reduzido na TSU será injectado na Segurança Social através do Orçamento de Estado. Mais uma vez pagamos todos e os de sempre passam entre os intervalos da austeridade. Tenho vergonha de dizer que o dinheiro das minhas contribuições ajudam a perpetuar o "escravizante" Salário Mínimo Nacional.
Faz-se passar a ideia, que este acerto na TSU beneficiará principalmente as micro e pequenas empresas. Nada mais falso! O valor que empresas poupam com esta medida não chega aos €4,00 por funcionário ao mês (como dizia o outro é fazer as  contas). Duvido muito que sejam valores destes que dêem a necessária folga de tesouraria. Em contrapartida os grandes empregadores podem ter aqui um encaixe interessante.
Bastava que este acordo envolvesse outras premissas para que o aumento pudesse chegar facilmente a 40 ou 50 euros. Se em cima da mesa fossem colocados os verdadeiros custos de produção, isto é os custos energéticos e de transportes, estou certo que todas as confederações patronais estariam muito mais dispostas a negociar. Mas falar em baixas de custos energéticos é assunto tabu, pelo menos desde o abandono do Álvaro... Os grandes interesses confortam-se e protegem-se, numa tocante manifestação de solidariedade financeira. 
«Mas olha que €20,00 é melhor que nada...» Ora cá está a "la paliceana" verdade! Depois de anos a fio a diminuir o poder de compra dos trabalhadores, esta afirmação é escandalosa. Anos em que inclusive, alguns grandes grupos económicos aumentaram os seus lucros. Seria pedir muito contribuir um pouco mais para a sociedade, conseguindo-se um aumento do salário mínimo para um nível um pouco mais dignificante? Convém não esquecer que sem dinheiro o povo não consome e um dia o "milagre" das exportações cessa e aí o que farão as nossas empresas?Atenção que o que me choca não é o aumento do salário mínimo em €20,00, mas o facto do mesmo ter ficado congelado quase 4 anos!
A austeridade é a principal responsável pelo aumento das desigualdades e disparidades salariais. Em épocas de crise, as pessoas parecer ser algo descartável. A pressão sobre o mercado laboral é grande demais e assim o determina. É vulgar dizer que uma vida humana não tem preço. Em Portugal, pelos visto, são mais ou menos €20,00...

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

A VIOLÊNCIA VERBAL E O DISCURSO DO VAZIO


“Os homens não têm de ser verdadeiros, têm de fazer sentido.”


O subtítulo está entre aspas porque não é meu… É uma frase “roubada” a André Barata, constante na sua obra Intimigrafia. Não conseguiria de forma alguma transcender-me a tal ponto, pois sou demasiado mundano e agarrado à realidade.
Embora numa primeira leitura esta máxima me parecesse desprovida de lógica, numa observação mais atenta reconheci-lhe uma coerência própria. Com efeito, a descodificação deste conceito leva-me à conclusão de que os homens (ou mulheres) deverão ou ser verdadeiros ou fazer sentido. Dificilmente os homens que forem verdadeiros não farão sentido, pois é algo inato à própria condição. Mas fazendo sentido não quer obrigatoriamente dizer que serão verdadeiros. Até na falsidade pode haver coerência…
Na sociedade actual pululam os exemplos em que não é respeitada nenhuma destas regras. A incoerência é tomada como uma espécie de placebo para todos os males. Os diferentes pesos normalmente usados para quantificar problemas análogos fazem multiplicar a quantidade de balanças, embora a unidade de medida seja invariavelmente a mesma – a violência. Venha ela na forma física ou verbal.
Se na sua forma física, a violência tem sido criticada pela generalidade da sociedade, já a forma verbal é estranhamente tolerada. Talvez no medo constante da cartada da censura ser lançada sobre a mesa. Mas a condescendência com este tipo de reacção faz-nos cúmplices do acto vil que é perpetuado.
O combate ideológico é nobre. O confronto de questões e soluções é fulcral na criação de modelos abrangentes que visem o progresso social. Mas até que ponto a opinião vazia, o discurso desprovido de conteúdo pode ser encarado como positivo num debate que se quer profícuo? Será realmente correcto apelidar de censura o apontar o dedo a estes “sabotadores” ideológicos? A sua retórica resvala invariavelmente para o populismo, a demagogia, o ataque pessoal. Esse é um péssimo serviço à Democracia e um atentado à Liberdade de Expressão.
A violência verbal é, provavelmente, aquela que mais agride. Não falo somente dos impropérios ou injúrias. Com o ataque pessoal é fácil lidar – meter para as costas e continuar o caminho. Agora com o afrontamento ao intelecto por parte do vazio, com a passagem de certificados de ignorância, com a ostentação de uma pretensa superioridade intelectual, já se torna mais difícil. É fundamental parar este discurso verborreico. Pactuar com estes actos não deve fazer parte da filosofia de vida de alguém, por mais que digam que se comprará mais guerras do que se tirará proveitos. Aguentar pacificamente estas atitudes, não é uma opção. Desmascarar a mentira e enfrentar a incoerência deverá ser uma preocupação de toda a sociedade.
Aqueles que eternizam uma discussão até ao fastio sem apresentarem ideias ou tão-somente um fio condutor, nada contribuem para o esclarecimento das inúmeras questões com que a sociedade moderna se depara. Desta forma, violam os princípios do debate honesto e enriquecedor. Estamos perante pessoas que se pautam por uma conduta que certamente não é verdadeira e muito menos faz sentido. Não respeitando qualquer das categorias enunciadas, que espaço poderão ocupar na condição humana?

15 de Agosto de 2014

Miguel Dias

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Declaração de candidatura à Assembleia do LIVRE - 01/Fev/2014

Esta foi a minha declaração de candidatura a membro da Assembleia do LIVRE, no dia 1 de Fevereiro de 2014, no Congresso Fundador no Porto. Passados que estão mais de 6 meses, estas palavras continuam a fazer para mim sentido. Sim, é a tentativa de construção de uma sociedade mais solidária que me trouxe a um papel mais activo no plano político, logo ao LIVRE. Hoje, dia 7 de Agosto de 2014, o meu estado de constante inquietação mantêm-se e enquanto este não for acalmado, não desistirei. Para que a realidade deixe de ser absurda. 

Segue a declaração:
   

Por defeito (ou efeito) de formação, acredito que o caminho para um futuro melhor só pode ser feito através do desenvolvimento do país, mas não um desenvolvimento qualquer. Este deverá ser ponderado e sustentável. A redução de assimetrias e a componente ecológica deverão ser 2 factores fulcrais no modelo a implantar. 
Identificando-me como uma pessoa de esquerda, a faceta social teria de estar presente nas minhas preocupações prementes. Actualmente vivo num estado de constante inquietação. O ataque ao Estado Social, aos Direitos Laborais, às Reformas e Pensões, ao SNS, à Escola Pública e por aí fora deixa-me num desassossego atroz e marca vincadamente um sentimento de injustiça que persegue sempre os mesmos, para beneficiar muito poucos. 
Por tudo isto e muito mais, não consigo continuar parado. É altura de tentar fazer mais do que a crítica e a profecia de ocasião. É preciso dar a cara pelos ideais que defendo (defendemos) e tentar proteger aqueles que não têm voz. Pela defesa de uma sociedade mais justa e igualitária.

domingo, 3 de agosto de 2014

A nova BESta negra da finança nacional

É até provável que o BES consiga o tal aumento de capital e seus índices de solvabilidade estejam protegidos. Beneficiará certamente de capital público (do fundo da troika presume-se, mas suportado por nós), para conseguir se reerguer, e o reembolso dessa verba com juros acabará até por ser um bom "negócio" para o Estado. A intrincada rede de associações financeiras construída ao longo de décadas, fez do banco um monstro que é simplesmente grande demais para deixar cair... 
Paralelamente, a ajuda estatal deverá ser acompanhada de um plano concreto que minimize o impacto do grupo na economia nacional. A voragem a que a sociedade está exposta por situações destas ou análogas, traduz-se numa instabilidade que a economia simplesmente não consegue aguentar.
Mas é mais que sabido, e a experiência tem mostrado isso mesmo, que no dia em que este triste episódio seja esquecido e a crise seja algo do passado, o banco voltará ao seu frenesim orgiástico de práticas financeiras pouco recomendáveis.
Caso não sejam tomadas medidas concretas para a regulamentação do sector da banca e seguros, mais BES(s), BPN(s) e BPP(s) virão, até que seja impossível sair do buraco criado. Interessa também uma entidade fiscalizadora eficiente e que não sofra de "miopia financeira"...

quarta-feira, 2 de julho de 2014

MAIS OU MENOS LIVRE?

Esta era a declaração política que tinha preparado para a 2.º Assembleia do LIVRE, realizada no dia 21 de Junho de 2014. Reflecte a minha posição face aos recentes acontecimentos internos e vincula apenas a minha pessoa e mais ninguém:

É minha firma convicção de que todos aqui somos livres. Quanto à questão de sermos LIVRE, com maiúsculas e tudo, isso já tenho sérias dúvidas… Mas eu ignorante e inexperiente me confesso. Talvez até um pouco tosco… Costumo identificar-me como um taberneiro com alma de passarinho. E se calhar não consigo visualizar tão longe como as minhas asas alcançam. No entanto, hoje faço ouvir a minha voz, para dizer tão-somente que sou LIVRE, com maiúsculas e tudo! Sabemos que a liberdade em toda a sua plenitude, como conceito puro, será sempre uma utopia e, esta sim, impossível de pôr em prática. Portanto, temos de viver o nosso dia-a-dia negociando consensos, respeitando assim as liberdade alheias. Isso também tem de ser verdade no interior do partido. Até porque ele não serve para ser palco para uma uma espécie de competição de egos. O seu propósito é muito maior que isso e não se coaduna com agendas pessoais.
O LIVRE tem uma génese – o Manifesto Por Uma Esquerda Livre – patente nos estatutos no seu Artigo 2.º. E esse Manifesto teve promotores. Entre eles estão André Barata, Marta Loja Neves, Renato Miguel do Carmo e Rui Tavares. Todos estão ligados ao LIVRE e fazem parte dos órgãos partidários. E isto faz todo o sentido. Não podemos olvidar que são eles (entre outros) os primeiros responsáveis por estarmos aqui todos neste dia, a fazer política, a discutir o rumo que queremos para a Democracia. Merecem o nosso maior respeito e admiração e não serem vilipendiados a cada vírgula que expressam, a cada atitude que tomam.
Os órgãos do LIVRE foram eleitos em Congresso de 1 de Fevereiro de 2014. Por sufrágio secreto, sem pressões e, na altura, sem oposição. Em menos de 4 meses trouxeram mais de 70 mil portugueses à sua órbita, numa época em que se fala na descredibilização da política e dos seus agentes. Este resultado nas europeias terá sido uma derrota, no sentido da não eleição de qualquer deputado. Mas pode e deve, também ser encarado como um dado positivo, pois conseguimos arrancar 70.000 eleitores do sofá, convencendo-os a votar LIVRE. Dos Zero aos Setenta Mil em menos de 4 meses! Até dava um bom slogan… Mas o que dá acima de tudo é uma esperança enorme a todos os amadores, ignorantes e inexperientes membros e apoiantes deste partido.
Não me compete a mim fazer juízos de valor sobre as pessoas que constituem o Grupo de Contacto, o Conselho de Jurisdição ou a Assembleia do LIVRE. Deixo para outros tais empresas. A mim move-me tanto a urgência, como os princípios do LIVRE. Já o disse e repito que revejo-me e comprometo-me com todos os documentos emanados do LIVRE e votados pelas suas bases. Nem poderia ser doutra forma. O dever de camaradagem a isso me impele. Estas são as regras que eu aceitei, para entrar neste jogo. Mesmo quando voto vencido tenho de ficar ao lado do LIVRE, por uma questão de princípio. Quem não está disposto a fazer este tipo de cedências terá de fazer um exercício de auto-crítica e aperceber-se do projecto que decidiu abraçar. Ninguém disse que a democracia interna iria ser fácil. Neste ponto tenho uma posição moderadamente radical.
Assim, e partindo do pressuposto que o LIVRE continuará fiel aos seus pilares constituintes: Liberdade, Esquerda, Europa, Ecologia; continuarei com certeza a sentir-me bem num partido onde, espante-se, se sufragam Estatutos e Programas Políticos. Após essa aprovação, essa letra deverá fazer lei entre camaradas. Não pode haver um 2.º caminho nesse ponto. A abertura é total na execução dos documentos, mas depois de emendados, corrigidos e votados, terão de ser respeitados por todos. É claro que haverá sempre espaço para melhorar e enriquecer um ou outro documento. Mas alterações plausíveis deverão ser tratadas da mesma forma. Não é vociferando que isto está tudo mal que poderemos chegar a um qualquer consenso e melhorar as nossas posições. Não é exigindo “respostas musculadas” ao Grupo de Contacto sobre todo e qualquer assunto, e o seu contrário em vários casos em que comunicados são exarados, que se fortalecerá o LIVRE aos olhos dos eleitores. Até porque o partido aparece com o intuito de tentar a convergência à Esquerda e não criar mais ruído ainda. Neste aspecto sou radicalmente moderado.
Chegados aqui hoje percebemos que o LIVRE é de TODOS. Lá fora começam a vislumbrar essa realidade. É um partido feito entre iguais, ao contrário da imagem elitista que nos tentam colar, onde ninguém deverá arremessar o seu canudo a um camarada. É um partido que quer ter uma “relação honesta com o conhecimento” (Carlos Teixeira o diz), mas que deve aplicar igual nível de honestidade nas relações internas de camaradagem. O convívio deverá ser sensato e cordial, que não é o mesmo que dizer que nos devemos pautar pela falsidade e hipocrisia. Não! As críticas são para ser feitas em local próprio, olhos nos olhos. Deste processo surgem invariavelmente soluções mais ricas e duradouras. Por o LIVRE ser de TODOS, deixou de ser aquilo que nunca foi – o partido do Rui Tavares. Desculpa-me camarada, mas esse barco já zarpou e estou certo que não deixa qualquer espécie de saudosismo em ti. O LIVRE é um partido, como já disse que não se revê nesta lógica de liderança. Não é do Rui Tavares, tal como não poderá vir a ser de ninguém. O LIVRE é a “Cantiga da Rua” do espectro político nacional. Não pode ser um veículo para propalar ambições pessoais. É democrático demais para sofrer com estes tipos de tacticismos. O LIVRE tem órgãos próprios e estruturas eleitas. É dirigido por uma equipa de 15 pessoas, denominada por Grupo de Contacto. Fizeram, fazem e farão o seu melhor em prol do partido e essencialmente do que ele representa. Dir-me-ão que o seu melhor não é suficiente. Respondo que o tempo será o melhor juiz nessa matéria. Quando chegar ao fim do seu mandato, o Grupo de Contacto será sufragado pelo trabalho que desenvolveu e nós seremos os avaliadores. Por isso sou frontalmente a favor de um Congresso Ratificativo que legitime as decisões tomadas democraticamente e frontalmente contra um Congresso Electivo que atrase a implantação do LIVRE na sociedade.
Alguém já me disse que o grande problema do LIVRE é a sua enorme abertura. Efectivamente, a sua maior virtude poderá ser também o seu maior defeito. Mas eu acredito, e quero continuar a fazê-lo, que estou entre pares. Quero continuar a acreditar que os camaradas que aqui estão põem o interesse do LIVRE, acima do seu interesse pessoal. Quero continuar a acreditar que ambicionamos para o país, mais e melhor Portugal. Por continuar a acreditar em tudo isto, e estar firmemente convicto que o LIVRE é um projecto de superior interesse nacional, eu não trocaria a nossa forma de fazer política por nada!

Viva o LIVRE!

Montijo, 19 de Junho de 2014

Miguel Dias

sábado, 31 de maio de 2014

Conversa LIVRE dia 29 de Maio de 2014 - Uma conversa sem espiga

Foi com alguma alegria que constatei que não tive oportunidade de intervir na reunião informal do passado dia 29, na sede de campanha do LIVRE. Isto por duas ordens de razão. Primeiro porque a sala estava composta e muita gente quis usar da palavra (o que é sempre bom). Segundo pela minha conhecida capacidade de fazer amigos (sempre que falo algumas pessoas ficam melindradas). De resto, o que teria para dizer não seria um grande acrescento ao que foi adiantado naquele final de tarde de espiga. De qualquer forma, deixo aqui um esboço das ideias que pretendia explanar.

1. O resultado eleitoral - É uma derrota não termos conseguido eleger. Pessoalmente reconheço a minha quota-parte nesse fracasso e já fiz o meu exercício de auto-crítica. Deveria ter me envolvido mais na campanha e ter tentado passar mais a palavra, naquilo que gosto de chamar "pedagogia política de proximidade". Coisas a corrigir no futuro. A não eleição de um ou mais eurodeputados deixou cair por terra o esforço e sacrifício de todos os candidatos e de quem se envolveu na campanha. Só posso apresentar as minhas desculpas, sem no entanto deixar de frisar que quem mais perde é Portugal e o próprio Parlamento Europeu.
Outra questão é o número total de votos que tivemos e a sua realidade em alguns territórios. Nesse campo considero que os mais de 70.000 votos, para um partido com tão pouco tempo de existência e ausência quase total de estrutura, é um início auspicioso.

2.  Adjectivação / Caracterização do LIVRE - Fazedores de opinião das mais variadas origens tentam passar a ideia de que o LIVRE é um partido de elitistas e intelectuais; um partido fechado; um partido unipessoal. Só nenhum se lembram de identificar o LIVRE como um partido de Esquerda, Progressista e defensor de um Memorando de Desenvolvimento para o país, sempre baseado na sustentabilidade. O LIVRE faz também parte da tal Esquerda caviar. A mim irrita-me solenemente esta classificação, até porque nem tenho posses para adquirir tal produto... 
É essencial dar a conhecer o Partido - explicar que o LIVRE é um partido diferentes. Eu costumo dizer que somos um partido de cidadãos e para os cidadãos. Um partido que aposta tudo na democracia, primeiro internamente com a democracia deliberativa e participativa, e depois pela abertura à sociedade, as reuniões são por princípio públicas e os candidatos escolhidos por todos em primárias abertas.
Tudo isto tem de ser escalpelizado, processado e divulgado.

3. Internamente tenho ouvido criticar o partido pela falta de mobilização na campanha e que precisaria de incentivar a criação de núcleos territoriais. Mas o que me chateia é a falta de iniciativa por parte de muitas das pessoas que lançam esta crítica. Somos nós, membros e apoiantes, que temos de criar esta dinâmica e contribuir para o crescimento do LIVRE. Ando já à algum tempo à procura de simpatizantes do LIVRE no Montijo para a formação de um Núcleo Territorial, o que se tem revelado uma tarefa hercúlea. Mas não estou pronto a desistir ou baixar os braços. Continuarei a tentar. E é mesmo isso, continuar sempre a tentar, o que deve ser pedido a cada um de nós. Quem diria à 6 meses atrás que neste momento estaríamos a discutir o resultado que registámos nas Europeias e o que temos de fazer para as Legislativas.

4. Num futuro muito próximo os núcleos territoriais serão muito importantes num cenário legislativo. A nossa bandeira - as primárias abertas - terão de ser descentralizadas até por força do tipo de eleição que enfrentamos, por círculos e que terá de ter várias listas distritais. Os núcleos territoriais serão essenciais no suporte e realização destas primárias.

5. Para que o partido possa crescer de forma sustentada são precisos fundos. Chegou a altura de pensar seriamente na criação de uma quota mensal para os membros do LIVRE. Não poderá ser certamente de valor elevado, até porque ao contrário do que se apregoa, o LIVRE constituído por uma elite abastada, e não pode ser uma razão para afastar os actuais membros ou inibir a inscrição de futuros. Farei chegar uma proposta ao Grupo de Contacto para estudo.

É tempo de unir forças e meter as mãos na massa. Eu não diria que será altura de arregaçar as mangas, pois neste partido nunca fizemos as coisas doutra maneira. LIVRE um partido de mangas arregaçadas! 

sábado, 24 de maio de 2014

O Cepticismo Dominante - Manual de Instruções Para Convencer Um Céptico Militante

Amiúde é assim... Em conversa com as pessoas, o assunto vai invariavelmente dar ao estado a que o país chegou, logo ao fenómeno político. Um amigo em particular é insistente em inquirir sobre a acção do LIVRE - o porquê e o para quê do partido. É um interesse genuíno. Este indivíduo em concreto, quer saber mais do LIVRE, o que o diferencia, quais os seus intentos. Invariavelmente, sinto que fico aquém das expectativas. Como passar a mensagem?
Apresento os quatro pilares de sustentação do projecto político: Liberdade, Esquerda, Europa, Ecologia - demasiado vago. Aceno com o programa político às eleições europeias, constituído pelas suas 67 medidas para mudar mesmo a sério a Europa - demasiado específico.
É essencial descobrir um meio termo que, de forma cabal e inolvidável, esclareça a essência do LIVRE e porque vale a pena (voltar a) votar no próximo dia 25 de Maio. 
O porquê e para quê do LIVRE, já foi mais que esmiuçado nas diversas intervenções de Rui Tavares e restantes candidatos, sendo inútil e contraproducente vir explicar de novo essa matéria, até porque nunca me aproximaria à excelência do discurso neste humilde texto. Portanto, interessa aqui compilar de uma forma simples e objectiva um manual de instruções que possa convencer um céptico militante. 
Passo de seguida a enumerar 10 razões para apostar no LIVRE já no próximo acto eleitoral:

  1. O LIVRE é um partido novo, não só pelo tempo de existência, mas acima de tudo pela nova forma de fazer política;
  2. No LIVRE não existe um dirigente único, a direcção do partido é composta por 15 pessoas, designada de Grupo de Contacto, com um porta-voz rotativo;
  3. Todos os documentos basilares do LIVRE, desde os seus estatutos ao programa político para as Eleições Europeias foram escritos a várias mãos e são sujeitos a um período de emendas e votação. A democracia começa dentro do partido num esforço deliberativo que enriquece sobremaneira os conteúdos;
  4. No LIVRE não há lugares cativos nem se pratica a política por convite. Qualquer cidadão pode concorrer a primárias abertas e dessa forma ser escolhido como um dos personagens políticos para a eleição em causa. Um processo de abertura que dá voz ao cidadão anónimo, que não raras vezes tem ideias válidas e que só espera uma oportunidade;
  5. No LIVRE a defesa e cumprimento da Constituição da República Portuguesa é ponto fulcral, pelo que não há, nem nunca poderia haver, disciplina de voto. Um cidadão eleito pelas listas do LIVRE tomará sempre a decisão que a sua consciência ditar, não defraudando assim os eleitores que lhe confiaram o voto;
  6. O LIVRE acredita que só através de políticas de índole progressista poderemos arrancar o país do marasmo em que se encontra, começando já por tentar aplicá-las no parlamento europeu, de onde emanam actualmente a maioria das nossas leis;
  7. No LIVRE não acreditamos no crescimento a qualquer custo. Este deve ser sustentado, respeitando o ambiente e a gestão dos recursos naturais;
  8. No LIVRE defendemos políticas activas de combate às alterações climáticas, sempre na persecução de deixar um Mundo um pouco melhor do que aquele que recebemos;
  9. O LIVRE propõe um programa eleitoral ambicioso, extenso, mas que pode ser exequível. Um eurodeputado do LIVRE é um garante que tudo fará para que esse trabalho se realize.
  10. O LIVRE acredita numa Europa mais justa, mais democrática, mais solidária. Um voto no LIVRE é uma garantia de luta sem tréguas na mudança de rumo e na construção de um projecto europeu inclusivo, no qual não haja parentes ricos e parentes pobres. A periferia deve deixar de ser subjugada aos ditames do norte da Europa, numa espécie de tirania financeira, que a médio/longo prazo será prejudicial para todos.
Resumo desta forma a importância de no próximo domingo votar LIVRE. O futuro europeu está nas nossas mãos e nós sonhamos ser donos do nosso futuro. Para arrepiar caminho é necessário primeiro escolher a direcção certa. O LIVRE avança com os primeiros 67 passos, a partir daí o caminho faz-se andando...